Me perco num passado tão morto quanto meu presente. E lá eu fico, eternamente presa por alguns instantes. Fecho os olhos e sou transportada até horas perdidas. Perco as horas por não me desprender de dias que não voltam mais.
Horas e horas que morrem sem proveitos. Talvez um medo da realidade me empurra ao passado. Não vivi nem lá, tampouco aqui. Me perco procurando o que perdi. E o relógio não para, nem para mim pegar meus cacos do chão, nem para levantar meu império.
O passado me faz sentir morta. E isso me faz estar viva. Só quando me sinto fora de vida, estou viva. Sinto meu coração bater atropelando as horas. E o mundo gira tão devagar que não posso pular essa parte. Mas a mato. Assim como matei meu passado.
Tudo passa depressa e eu estou no mesmo lugar, parada, olhando as paredes se mexerem. E este tédio me consome... Olho para tudo e não vejo nada. Sinto medo de viver. Pois só vejo pessoas tão mortas quanto as verdades prometidas. É difícil encarar a realidade quando não se tem uma.
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