Olhando o céu azul, vivendo a felicidade das pequenas coisas maravilhosas; era apenas imaginação, só desejos. Culpando a alma, culpando seus fragmentos, culpando seu reflexo por ser feio. Desaprendendo a ver o rosto, a se reconhecer, a se amar. Já há um estranho neste corpo, só desejos. Já não reconhece mais a boca que beijava, a mão que segurava e a mãe que amava. Não pulava mais as poças e nem dançava na chuva, não acariciava mais os braços como se não fossem seus.
Aos poucos os olhos morreram, aos pouco a boca não abria, os pés não sapateavam mais...
Procura-se um sentimento.
Procura-se um uma alma de criança iludida.
Procura-se um reflexo no espelho.
Em meio a sujeira aquela criatura sujinha sucumbiu-se.
Esperando o milagre, esperando o grand finale, talvez mais os aplausos. Mas não havia platéia, e, tudo o mais era apenas um monólogo morto. Era como um livro mal acabado.
Faltava apenas crer.
Faltava lutar por si.
Faltou chorar.
Faltou sorrir.
Faltaram situações ridículas.
Faltou não se importar.
Faltou importar.
Faltou!
E entregou a vida aos infernos como se não fosse jovem, e desistiu como se não fosse velho.
Desdenhou-se como se fosse um produto usado, usou-se como se houvesse mais, ouviu-se como se fosse surdo, surdou-se.
E a chuva continuou a cair.
As pessoas continuaram a morrer.
O sol não se fez diferente.
E aquele teco de espelho, aquele pedaço incompleto de vida, aqueles olhos imundos, aquela boca fria, aquela alma... continuou sem reflexo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário