Acho que está na hora de fecharmos as portas. Mas me assusta te deixar na chuva. Você pode achar outra cobertura, um abrigo talvez. Isso me mataria.
Mas você me mantém como um cachorro acorrentado, eu sempre fui um animal selvagem. Meus casos são de uma noite, de manhã eu já não tenho nada pra você. E você se desfigura para ficar bem nesse espelho, eu não quero ver você assim. Estamos amarrados.
Eu não aguento mais olhar seus tons pastéis; eu preciso correr nua pelo mato, uivar... E você é só um morcego que nunca saiu da caverna. Pensei que poderia me prender por você, mas eu só sou uma vadia ingrata que morrerá só.
Eu matarei qualquer um que cruzar meu espaço, e você esteve tão dentro de mim, deixando suas partes e marcas, e agora eu me pareço com você.
Eu estou tão excitada para voar, dizem que depois do oceano tem mais terras. Então pode ficar aí com seus livro sobre ser cego. Eu quero cheirar a boemia, eu quero sentir meu corpo deslizar pelos desenhos na neve.
Eu quero estar onde as pessoas também apreciem meus defeitos, onde eu possa ser eu mesma e isso é poesia. Eu quero beber com que me deseja a mesa. Com braços que vão me segurar se eu cair. Porque amanhã, quando eu for só mais um livro lido, eu seja citada. Eu serei a obra-prima na parede, e eu não me sentirei mal por não ser o que não sou. Porque eu acho que somos peças de jogos diferentes.
Estamos aqui por tanto tempo e você nem saberia descrever meu gosto, e eu nem sei como você é. Vimo-nos como ninguém viu, mas eu nem consigo falar a você coisas que falaria a estranhos.
O relógio dança, a cola está secando. Procuro me culpar por tudo, agora, aqui sozinha, não fui eu que quebrei o prato dessa vez. Por mais torpe que fui, ainda assim não fui eu. E quando você chorar eu vou voltar para a gaiola, e vai ser a mesma merda de novo e de novo.
Eu nem sei porque fui mergulhar nas águas do sul. Eu só quero ir para a casa agora, mas agora que trai meu clã estou fadada a miséria. Sem amigos, sem dinheiro e com a face de quem matei em tudo que olho. Eu sempre sonhei em encontrar alguém que me suprisse, que pudesse me sentir além, e agora eu não o suficiente para você, eu não sou elas e não quero ser, e você nunca terá a loucura para distrair minha mente. Eu estraguei tudo de bom que você via em mim, desculpe. Eu nunca vou poder, eu nunca agradarei os que te agradam, está além de mim.
É impossível que nós alcancemos os céus, estamos tão leves que flutuamos na brisa, somos empurrados por qualquer assopro. Somos a mesma polaridade, quase esgarçando as cordas que nos prendem, fingindo que está tudo bem. Você é só um gatinho medroso que não gosta de subir em árvores. E dizer dói, dizer isso ao nada. Porque você não está mais aqui, não está lá; você só fica aí.
Em algum momento alguém vai me chamar de "minha menina" e sorrir por eu estar ali, vamos descer por debaixo daqueles tecidos que ficam bonitos no pôr do sol. E tudo será o que agora não é, porque ele tem e não perdeu e isso é tudo que preciso. Eu nem sabia o seu nome, porém quando estava naqueles braços eu sabia que estava em casa e que nada poderia nos atingir. Eu só queria existir naquele momento.
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