Hoje eu o toquei.
Meu coração o tocava também.
Seus cabelos e pele, era como tocar o som da felicidade.
Hoje eu o toquei.
As curvas de sua coluna.
Os traços de seu rosto.
Ah, natureza maldita.
Por que esculpiu tal beleza?
Eu senti sua pele morna.
Como o sol da manhã de inverno.
Ouvi a música que aquele corpo fazia.
Tão único e leve.
Os desenho dele.
Como suas roupas se acomodavam.
Tudo eu senti.
Meu coração sentiu também.
Ficaria uma vida vivendo aquele corpo.
Aquele corpo que não quer me sentir.
Aquele coração que não dança comigo.
Olhos que não me percebem.
E ele partiu,
Quebrando toda a ligação que nunca existiu.
Sem interesse em minha pele.
Apenas partiu.
Por que, maldita natureza?!
Por que criastes tal perfeição?
E por que, destino?!
Por que pôs no meu caminho algo que meu coração quer mas não pode ter?
Por que me punes com a maior das crueldades?
Arranca-me os olhos! Arranca esta pele. Tira de mim o coração.
Mas não permita que eu sofra os espinhos do amor.
Hoje ele me matou.
Matou também o coração que batia dentro de mim.
Sem a menor das cerimônias ele se foi.
Sem nem olhar para trás.
Hoje eu o senti.
Arrancar os trapos que estancavam o resto que tinha em mim.
Tão belo e único.
O golpe limpo me faz esvair lentamente.
As curvas que me deixam sem visão.
Os traços do precipício sem fim.
Ah, é como querer sobreviver no oceano de canoa.
Por que me deste tal fardo?
Hoje eu senti o céu.
Me avisaram que eu vou pro inferno.
Por que não me fizestes sem coração?
Por que não me arranca os olhos?
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