quinta-feira, 26 de maio de 2016

Autoquíria


Meus lábios, pés e costas
São seus
Eu não sei o que fazer comigo
Meu corpo e espírito morrem e renascem para morrerem novamente

Todos os dias
Um golpe no peito
Meu corpo nu num deserto
A areia áspera na minha boca

Faleço no seu colo
De um você que imagino
Você não está aqui
Eu já nem sei se eu estou também

A pele arde
Mas não sinto dor
Não sinto fome
Todo meu sentir morreu

Eu regurgito uma fumaça negra
Ela me recobre
Envolve me em uma bolha
Eu ouço a vida acontecer lá fora

Dos meus cacos, cinzas e fumaça
Não reconheço essa pessoa no espelho
Tudo o que posso ver é sua ausência
Só ouço o silêncio que você provoca

A solidão
Não tenho para onde voltar
Errante, despida e fraca
Morrerei sem te afetar

Nenhum comentário:

Postar um comentário