São seus
Eu não sei o que fazer comigo
Meu corpo e espírito morrem e renascem para morrerem novamente
Todos os dias
Um golpe no peito
Meu corpo nu num deserto
A areia áspera na minha boca
Faleço no seu colo
De um você que imagino
Você não está aqui
Eu já nem sei se eu estou também
A pele arde
Mas não sinto dor
Não sinto fome
Todo meu sentir morreu
Eu regurgito uma fumaça negra
Ela me recobre
Envolve me em uma bolha
Eu ouço a vida acontecer lá fora
Dos meus cacos, cinzas e fumaça
Não reconheço essa pessoa no espelho
Tudo o que posso ver é sua ausência
Só ouço o silêncio que você provoca
A solidão
Não tenho para onde voltar
Errante, despida e fraca
Morrerei sem te afetar

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