terça-feira, 2 de agosto de 2011

Ausência

  Está tenso. Não sei o que faço. Agora eu tenho mais problemas que antes. Mas o tempo está curando as feridas que eu me fiz. O problema sou eu. A culpa é minha. Tenho que achar uma saída. Estou com medo de algo dentro de mim.
  Me sinto como se tivesse duas almas em uma. Como se fosse duas pessoas brigando por um corpo. São dois lado opostos. Nenhum bom, nenhum ruim. Os dois tem virtudes e defeitos. Na verdade são três. Duas brigam por um controle e há  uma marionete. A marionete só toma vida própria quando eu ajo sem pensar, por impulso.  O meu problema é que não sei qual das três eu sou. Ou se não sou nenhuma. Agora mais que nunca eu preciso saber.
  Estou assustada. Me sinto abandonada na selva para morrer. As pessoas que me apoiei foram embora. Agora me sinto só. Tudo isso porque uma pessoa foi embora. Porque eu a expulsei sem saber. Erro meu, como sempre.
  Estou na bipolaridade infernal. Não me reconheço mais. Não domino mais meus sentimentos. E não tem ninguém para segurar minha mão enquanto eu grito. Eu estou morrendo. Alguém consegue ver? Alguém consegue me ver chorar sangue quando estou sorrindo?
  Me sinto vigiada, o tempo todo. Parece que os olhos me seguem, como se quisessem me ver cair. Mas eu já estou no chão, ninguém consegue ver?
  Não quero ajuda. Quero um ajudante! Quero meus motivos de volta. Quero minhas paixões de volta. Quero respirar novamente. Quero meus problemas antigos. Minhas incertezas antigas. Quero voltar no instante em que deixei minha vida se esvair. Só preciso de um minuto, e mudar uma atitude. Alguém pode inventar uma máquina do tempo? Eu daria tudo por aquele minuto. Só uma atitude. Só isso.
  E agora eu luto contra mim mesma. Contra minhas três partes.
  Eu sinto que não posso confiar em ninguém. As pessoas querem me ajudar. Mas só uma pessoa pode me ajudar, e ela não está mais aqui. As pessoas tentam achar que sabem o que eu quero, que outra coisa pode substituir... Mas falta uma peça no meu quebra-cabeça. Uma peça única e impar.
  Ou eu mudo de jogo. Ou eu fico aqui olhando o jogo incompleto. Mas o jogo é tão hipnótico, que fico parada observando; enquanto as pessoas riem por eu estar ali.
  Não me importo com elas. Com nenhuma delas. Podem rir, chorar, morrer... Meu mundo é outro, meu jogo é outro. Eu não me importo com o que elas sabem, ou o que elas falam. Elas não viram as mesmas coisas que meus olhos, não sabem o que eu passei, não sabem o que é estar num corpo morto tentado viver. Então que riem à vontade.
  Isso vai e volta o tempo todo e sem aviso prévio. É estranho. E sou um pêndulo que balança entre o ódio e a felicidade extrema. Numa forma irregular balanço o tempo todo. É como morrer e ressuscitar o tempo todo. Sofrer e sorrir.
  As pessoas me irritam. É como se não as conhecesse mais. Eu odeio todas por alguns segundos e depois as amo como se fossem meus protegidos. Eu só quero que isso se vá.
  Por que você não me deixa ir? Por que ainda me faz ficar aqui parada como se você fosse voltar? Você não vai voltar, então por que eu estou aqui ainda? Por que eu não fujo do que me mata? Eu quero ir embora, para a casa. Me faça ir. Me diga o caminho. Ou me mate de uma vez. Não dá mais para ficar aqui.
  Em tudo há você. Cada canto meu você está. Nos meus lugares de paz, você está lá. Não tenho para onde fugir. Você deixou sua marca em tudo.
  Então ria, me odeie, fale o que quiser. Não dá para ficar pior do que é. Só me mate antes de festejar a minha ausência.
  Alguém me entende? Alguém lê isso? Ou são palavras mortas? Pode me ouvir? Pode ouvir minhas letras?
  Cedo ou tarde isso irá embora. Mas até lá... O que eu tenho que fazer para me soltar das correntes e voar novamente?

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