Então, eu aumento a música.
O suficiente para que não te ouça soluçar.
Eu ainda sinto você desfalecer no chão.
Sua alma ainda me perturba.
Os cacos de vidro no chão dão um design bonito.
Entre o seu sangue, eles refletem a luz de fora.
Enquanto você tenta viver, a paisagem te executa.
Eu olho imóvel as suas cores fugindo de você.
Você me faz ir pra outro lugar.
Você sempre me fez flutuar...
E agora você me traz de volta a realidade.
Eu quero ir embora com você.
Eu grito e me corto, mas a vida não me foge pelas mãos.
Então volto a sentar e observar o nosso sangue se fundir.
Os cacos de vidro ficaram vermelhos, quase pretos.
O meu sangue sujo escurece toda luz.
Eu te vejo tão sem vida.
Você me diz coisas que só eu posso entender.
Então eu tento me esvair novamente,
Eu não consigo encarar esses rostos sem você.
Eu seguro sua mão,
você faz a dor ir embora.
Eu me corto novamente e sangro com você.
Você mata minha dor.
As cores morrem conosco.
Os cacos refletem menos, porque não há mais luz lá fora.
E aqui, eu te vejo brilhar como águas ao sol;
Eu só quero ir com você...
A música se silencia,
Eu agora abraço um corpo sem vida.
E espero minha vez para me libertar disso.
E o tempo não passa.
Enfim me liberto,
Te vejo sorrir ao me ver.
Nós andamos e andamos por todos os cacos,
E você me faz flutuar novamente.
Agora me diz as coisas que só eu ouço.
E rimos a noite toda sobre nosso sangue.
Você faz tudo brilhar,
Você me faz viva.
Nenhum comentário:
Postar um comentário