quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Estradas

  Meus amigos armam armadilhas contra mim. Me sinto caçada. Não sei em que ombro posso chorar, então minhas lágrimas caem no chão, pelos caminhos que eu ando. Confundo o inimigo com amigo, apenas por serem iguais. E as lágrimas trilham no chão um linha que leva a mim, uma linha que seduz todos os que querem mais sangue.
  Todos os passo que dei até agora, em vão, me fazem querer recuar e me culpar de estar aqui. O mundo não é o mesmo, e eu desejo viver o ontem todos os dias. Quando meu sangue ainda estava dentro de mim eu tinha um motivo para viver.
  Você sabe o motivo, você sabe o que me trouxe até aqui. Sabe como eu queria voltar a estar aí. O tempo corre e me afasta mais e mais. E a cada polega de distância de você, posso sentir seu gosto mais forte. Eu tenho medo de chegar ao fim, eu quero voltar ao começo, ao nosso começo.
  Eu ando de costas, para olhar você ficando mais longe. Cada passo me mata. É o caminho que escolhi, esse medo me mantém viva. Só falta achar um motivo para continuar a andar.
  E voltando aos amigos, se é que posso assim chamá-los... Eles talvez tenham a razão de quererem me ver cair, subi tão alto que os pisoteei. Talvez seja a hora de descer e voltar a ser o que nunca fui. Talvez o ódio que eu causo e me orgulho tenha que morrer. Eu juro que tentei matá-lo, mas eu precisava respirá-lo porquê  estava sem ar.
 Agora no chão, eu posso ver os cacos que furaram meus pés, são das garrafas que quebrei enquanto festejava. Mas a festa acabou antes de começar e só restaram os cacos que eu tive medo de recolher. A cama que eu deito é a que eu fiz. Eu não posso me culpar por ter sido estúpida, agora eu tenho que continuar andando até um novo você.
  Os sonhos que são pesadelos, não passam de minha realidade distorcida, o monstro que me devorou ontem a noite é o mesmo que converso todos os dias de manhã. É mais fácil ver isso quando se ouve as vozes que gritam. Quando o mundo para posso me ver tendo razão, o problema é que o mundo não para.
  É agora que recomeço, porque o livro de aprender já foi fechado. Eu não posso mais errar. Já não tenho mais forças para mudar de estrada. Acho que vou fugir, vou para onde não possa ver vocês, eu não quero me lembrar. A única coisa que serve para mim é saber que posso. Ainda posso fugir daqui.

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