quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Neve

  Meus pés incessantemente me levando ao que eu fugia. A estrada destino foi um pouco cruel. E agora ando para frente, só que de costa. Meu corpo dói, tem sido uma jornada cansativa. Olho as montanhas cheias de gelos e histórias, um cenário lindo, mas frio. E tudo o que levarei disso são as memórias.
  Eu vim de tão longe, não me lembro de onde, era quente. Eu senti tanto medo quando acordei, mas eu só podia caminhar. E agora olhando tudo o que já andei e sem ver o que me aguarda, parece-me tão próximo um fim. E vendo daqui de cima não me parece tão ruim.
  A vida é uma merda, tão cruel, injusta. Um barco de areia num astuto lago, se desfazendo lentamente, desesperando tudo, tudo morre. As memórias não, mesmo que ninguém mais se lembre.
  Tudo faz silêncio na mente, então fecham os olhos e agem como um animal ou um computador. Então mais um passo, mais um remorso. Por essa estrada se anda de costa, e de costa é mais fácil tropeçar. No fim estamos dependendo de um tropeço para evitar o outro.
  E quando chegarmos? Pulamos de volta?
  Não se sabe quando se acaba.
  Tudo é uma merda.
  O fim é tão perto do começo, tão longe para meus pés. Só me lembro que eu era pequena, e achava que as coisas seriam pequenas quando fosse grande, então anda ao meu modo achando que construiriam estátuas à minha forma e o mundo era como eu imaginava, mas tudo é tão frio.
  Agora, tudo tão sereno, fechei meus olhos e parei de andar. Acho que já nascemos mortos, nos julgando tão vivos. Começou a nevar, a neve tão simpática, mata tão silenciosamente. Suas mãos quentes, ela parece com suas mãos quentes, mas é tão fria. Eu nunca vi a neve, devo estar dormindo.
  Voltei a andar. Tão devagar, me despedindo de cada segundo passado. Estamos todos morrendo.
   Queria morrer em suas mãos quentes.
  A neve cai devagar.
  E lá vem o sol.
  A neve cai, e não para.
  Você está tão frio.
  A neve cai sobre nosso corpo.
  E sob meus pés uma vida.
 

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