segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Refrão de voo

  Num fluxo constante ele se movia. Seguindo cada segundo que o relógio gritava, era apenas mais uma engrenagem. Tão hipnótico, não podia se desviar o olhar e nem se lembrava que algo além dele tinha vida. Ele agia perfeito, em cada passo brusco, em cada suspiro.
  Como gatos procurando movimento, nós seguíamos, tão imortais, perto daquele corpo que recriava o universo e a vida. E nada é impossível. Escreverão odes à ele, o deixarão tomar o mundo, nos escravizou pelo movimento. Somos pequenas poeiras orbitando-o. 
  Remetia-nos a um quadro jamais pintado, era a voz das paredes, era o som das flores que caiam num caminho remanso. Terno, eterno. Nos roubava os olhos e a existência. Era olhar o infinito pela fechadura, de uma porta que jamais passaria. Nosso corpo apenas um corpo. 
  Ele abraçou-nos e soltou-nos, era um pássaro, e de repente um prisioneiro. Ele... ele voou, tão alto e caiu. Ergueu-se. Olhou para uma realidade oposto e voou novamente. Largou-nos, abraçou-nos. Eramos tudo e nada, eramos o vento, eramos o seu elmo, eramos... 
  E foi embora, como uma luz que se apaga e não se despede. Andando, voou pela última vez. Ele esvaiu, como se não fosse perfeito, como se não fosse nossa alma, não voltou para os aplausos. Agora o supremo, apenas uma memória gasta.

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