segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Bárbara

Olhe como ela anda por um rico céu estrelado
Senta-se entre reis e rainhas
Janta com deuses, dança com nobres
Ela ri com os conselheiros dos Grandes

Mas nesses palácios e castelos seu coração não está
Essa pessoas só fazem barulhos inteligíveis
Ninguém nunca se cala, os ouvidos dela sangram
Implorando pela música das árvores

Veja como ela pinta o rosto
As jóias que a adornam
Esses vestidos caros e belos sapatos desconfortáveis
Ela está fantasiada, mas nada maqueia a alma

Por baixo de tanta tinta e sorrisos falsos
Seus olhos choram
O corpo grita
Ela sabe onde seus pés anseiam para pisar

Ela olhou o horizonte procurando 
Procurando o que chamar de casa
Seu espírito é selvagem, animalesco
Se sentia presa na frequência dos ruídos dos abastados

Ela quer andar nua, suja de lama
Sentir o cheiro do sangue e da adrenalina
Ela é bicho, criatura do jângal
Estava morrendo como um pássaro na gaiola

Subiu num parapeito futilmente ornamentado
Riu de tanta imbecilidade que se pôs a viver
Se lançou ao mar
Sem hesitar foi para a liberdade

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