As unhas se cravam na pele
Arranham a carne
O sangue escorre
Escravo da gravidade
O corpo oprimido se levanta
Por reação
Nunca fez nada por vontade própria
Gostaria de ser
Afagado como uma vítima
Mas se é o próprio vilão
Segurando sua coleira
O ódio consome
Invadindo suas veias
Dominando
Mas a gravidade oprime
Aniquilando-se
Esmagado de dentro pra fora
De fora pra dentro
Seus gritos morrem antes de se propagarem
Mas quando pôs-se a correr
Por um breve momento esqueceu
Que é um prisioneiro de si
Acredita-se livre
O vento cortando a matéria
Libertando-o de si
Rasgando o corpo
Escapado
Deixando para trás
O tirano vitimizado
Como uma concha pequena
Que já não servia
Respirou pela primeira vez
O ar queimou seus pulmões
Mas dessa vez ele pode gritar
Ele se sentiu existido
Abriu os olhos
Era tanta dor
Porém se sentia feliz
Chorou porque quis
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