terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O corredor cOmPRIMIDO

Fora de controle
As unhas se cravam na pele
Arranham a carne
O sangue escorre 

Escravo da gravidade
O corpo oprimido se levanta
Por reação
Nunca fez nada por vontade própria

Gostaria de ser 
Afagado como uma vítima
Mas se é o próprio vilão
Segurando sua coleira

O ódio consome
Invadindo suas veias
Dominando
Mas a gravidade oprime

Aniquilando-se
Esmagado de dentro pra fora
De fora pra dentro
Seus gritos morrem antes de se propagarem

Mas quando pôs-se a correr
Por um breve momento esqueceu
Que é um prisioneiro de si
Acredita-se livre

O vento cortando a matéria
Libertando-o de si
Rasgando o corpo
Escapado

Deixando para trás 
O tirano vitimizado
Como uma concha pequena 
Que já não servia

Respirou pela primeira vez
O ar queimou seus pulmões
Mas dessa vez ele pode gritar
Ele se sentiu existido

Abriu os olhos
Era tanta dor
Porém se sentia feliz
Chorou porque quis

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