domingo, 27 de novembro de 2011

Armagedom I

  O tempo corre em efeito dominó e cada peça que beija o chão não pode mais ser levantada. Tudo ocorre na exata ordem do jogador. E as peças desse xadrez não entendem nada, mas no final haverá um xeque-mate. Há sangue nos dados; jogamos roleta russa.
  Tudo para proteger o rei; seremos todos mortos por um rei. Sacrifiquem a rainha! Sacrifique-a! Proteja o rei, dizia ele, proteja o rei. O fim de tudo é a morte, somos apenas o ponto de diversão. E nestas cartas o coringa já foi usado para salvar o rei.
  Nosso sangue, apenas isso. Querem ver nossa dor, elas gostam de nos ver chorar. Nós escravizamos animais e nem percebemos que apenas repetíamos o sistema. Somos a base da pirâmide, todo peso está apoiado em nós.
  Fomos condenados no nascimento, não pedimos para nascer. Para de reproduzir, meretrizes! Vocês só estão prolongando o espetáculo. Vamos, acabem com isso. Matem-nos logo!
  Arco-íris no céu nos mostram como somos pequenos. Você não pode voar, não pode controlar sua vida, não pode ver o infinito; cale a boca. Tentaram nos avisar, mas a incontinência nos ensurdeceu. Somos apenas a ponte entre o sublime e a sujeira.
  As fotos mentem tanto como nossa boca. Não acredite no que seus olhos mostram, é maior do que você pode ver. Calem os ouvido, não sigam o coração, não deixe a razão falar. Apenas feche os olhos e deixe a morte te encontrar.
  Não tenha medo da dor. Eles não começaram a nos torturar ainda. Nenhum remédio vai restaurar seu coração. Arranque-o e seja como eles, ou sofra conosco.


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