Ele tinha dois olhos que cabiam o universo todinho, com um grande buraco negro no centro de cada um. Os olhos se afastaram de mim, lentamente. Não piscavam; nem demonstravam mais emoção do que uma grande depressão, daquela que a gente não sabe se tem fim ou não. Eu só podia olhá-los, emudecida, senti que contemplava a maior beleza do universo, que agora se esvaia, mas não tão tarde, era tudo o que eu tinha, na mente.
Horas passavam e eu estava imóvel, absorta. Talvez por isso não vemos os anjos. A tontura tomava-me. Eu esta imóvel, mas só eu. O mundo todo era sugado por um ponto escuro. Vozes celestiais, ensurdeciam. Um Armagedom na minha cabeça.
Podia ver apenas aqueles olhos.
Uma dor tomava todos os meus membros.
Me converti em energia.
Eu não podia me mover.
A minha volta, crianças rodavam. Mas eu só podia senti-las.
Uma música incessante, de poucos acorde.
Tudo o que eu tinha na mente era o universo.
Não sei, uma dádiva.
Uma angústia.
Obcecada, fechei meus olhos.
Lembrei, então, dos meus.
Todo o universo agora morre.
Foram três segundos eternos.
Nunca os compreendi.
Sinto que uma parte de toda a beleza se foi. Nada será mais belo que aqueles olhos. Foram só três segundos, mas me perseguiram por décadas de sonhos. E quando chegou a vez de minha vida ir, vi os olhos novamente, agora sorriam para mim. Senti a paz e a nostalgia de um bom fim. fechei meus olhos e não vi mais nada.

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