domingo, 9 de outubro de 2016

Amanhã II

 Caio de joelhos, uma reverência ao fracasso. Não! Eu não posso, não posso morrer aqui. Me deito ao chão. Olho o céu, nada além de nuvens que dançam um presságio apocalíptico. O solo que em minha pele tenta, em vão, achar conforto é coberto de pequenas pedras, que tentam perfurar minha pele. Eu cedo, o sangue escorre na terra seca.
  Meus lábios estão rachados, minha garganta seca. A única coisa úmida é o meu suor; como a esperança, a água tenta abandonar meu corpo. Respiro profundamente, o ar quase me gera uma crise de tosse. Então me levanto. Lá está!
  Já sem força, esperança ou se quer uma gota de sangue nas veias, eu me ergo. Eu ouço me chamar! Arrasto meus pés pelo chão, agora é a alma que move o corpo. Não há como nos separar, nem mesmo as ameaças da morte me intimidarão. Meu coração acelera e eu até choraria se pudesse. Peço aos céus, aos deuses, aos demônios; FORÇA! Como um questionamento de fé meu corpo tomba, sinto as pedrinhas atravessarem a pele de meu rosto. Me sinto tonta, como se eu fosse irreal. Meu corpo se destaca da terra e tudo gira.
  Tento mover meus dedos, inutilmente. Respiro lentamente. Não! Não pode acabar assim. Não! Ouço seu som, me esperando, está gritando por mim. Eu desisto? Chuva, só queria que chovesse agora.

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