Você anda por aí
Como gato em telhado,
Olhando as pragas
Consumirem nossos jardins.
Está satisfeito?
Não chove desde setembro,
Minha pele está mais seca
Que os seus olhos mortos.
Acha que sabe o que eu sei.
Mas o futuro é deliciosamente incerto
Moldado por mãos bêbadas
Num presente nostálgico.
Seu rosto está sendo consumido
Por magia negra.
Eu te avisei para não se meter
Com a rainha azul.
Meu corpo velho o espera na janela.
Ele nos prometeu que voltaria.
Como a promessa do deus morto.
Após a vida só há silêncio.
Eu preparei uma ceia para ele.
Mas até os vermes já se foram,
O sol, toda a manhã, vê-me na janela.
Qual foi a última vez que dormi?
O que está me olhando?
Nunca vai me perdoar?
Você pode ter meu sangue se quiser, mas só isso.
Vamos, entre.
Já está tarde.
Vamos, meus filho abortado,
Está na hora de dormir.
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